Por Arthur Cursino

No último mês de agosto as emissões de CO2 pela geração de eletricidade no Brasil atingiram um recorde histórico, chegando a 157,8 kg de CO2 por MWh produzido. Esse valor, apesar de ainda estar abaixo de outros países com matrizes elétricas mais “sujas”, está muito acima da média registrada nos anos de 2006 a 2010, como mostra a figura 1 abaixo.

 

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Figura 1

Fonte: Elaboração própria a partir dos fatores publicados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (2015)

 

Apesar de o governo brasileiro colocar a culpa na crise hídrica que atinge principalmente as regiões sul e sudeste, uma vez que a menor quantidade de água nos reservatórios das hidroelétricas força a uma redução na capacidade de geração, a realidade é que o país está cada vez mais dependente da eletricidade de origem térmica, obtida através da queima de combustíveis fósseis, como o gás natural e o óleo combustível.

A carga de energia no país vem crescendo progressivamente, enquanto a energia armazenada máxima nos reservatórios das hidroelétricas se mantém praticamente constante, como mostra a figura 2.

 

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Figura 2

Fonte: Histórico de Operação do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e Empresa de Pesquisa Energética (EPE)

 

Através da análise da série histórica e perspectivas futuras apresentadas na figura 2 é possível observar que a energia armazenável máxima das hidroelétricas nacionais não acompanhou o aumento da carga de energia ao longo da última década e não existe previsão de que volte a acompanhar, independente da quantidade de chuvas que o país receba.

No último Plano Nacional de Energia, publicado pela Empresa de Pesquisa Energética em 2008, o governo previa uma maior utilização das termoelétricas, tanto que o fator de emissões calculado para a matriz elétrica de 2030 é de 156,0 kg de CO2 por MWh (0,156 toneladas por MWh), no entanto, chama a atenção o fato desse fator, previsto para 2030, já ter sido alcançado  em um mês do ano de 2014, o que mostra que o futuro está muito mais próximo do que antes imaginado (figura 3).

 

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Figura 3

Fonte: Elaboração própria a partir dos fatores publicados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (2015) e do Plano Nacional de Energia 2030 da EPE (2008)

 

A realidade é que sem um planejamento energético de longo prazo é fundamental para incentivar dois fatores primordiais: (1) a diversificação da matriz de geração, adicionando de forma constante e expressiva outras fontes (como eólica, solar, pequenas centrais hidroelétricas, biomassa) e (2) a promoção da redução da demanda por eletricidade, através de programas de eficiência energética multissetoriais. Sem ele, o Brasil estará cada vez mais dependente das fontes fósseis, que não apenas apresentam maiores impactos ambientais, mas também apresentam um custo de geração superior.