Por Alexandre Schinazi

 

Muito se tem falado sobre a séria crise de água que atinge várias regiões do Brasil, em particular a capital financeira e maior cidade do país, São Paulo. Contudo, o público pouco tem sido alertado sobre os impactos significativos que isso acarretará ao setor energético – já neste ano.

Não é segredo que a matriz energética brasileira é composta principalmente por energia hidrelétrica. No entanto, a seca prolongada que o país tem enfrentado nos últimos anos, com chuvas bem abaixo da média, reduziu drasticamente o nível de muitos dos reservatórios que as usinas hidrelétricas usam para gerar energia.

As consequências já começam a aparecer. O país está cada vez mais dependente de suas usinas termelétricas, que utilizam como combustível principalmente diesel e gás natural, poluentes e caros. De acordo com dados oficiais do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), em 2009, 93% da eletricidade do Brasil era gerada por fontes hídricas. Em 2013, esse número já havia caído para 79%; e em Dezembro 2014, para apenas 69%. Esse valor ainda pode ser considerado alto quando comparado à maioria dos países, porém a rede elétrica brasileira não foi projetada para operar com tamanho percentual de fontes térmicas, hoje próximo aos 30%. As usinas termelétricas têm funcionado a todo vapor, prejudicando rotinas de manutenção e colocando em risco seu maquinário, que foi projetado para operar apenas alguns dias por ano. No dia 21 de novembro de 2014, um recorde foi quebrado: uma potência de 17,1 GW estava sendo gerada por usinas termelétricas, o que representa 98,7% da capacidade térmica do país disponível naquele dia, um número assombroso. Apesar da retórica dos políticos, o Brasil está perigosamente perto do seu limite elétrico.

Geracao térmica

Aumento da geração de energia térmica no Brasil de 2009 para 2014.

Fonte: http://www.ons.org.br/historico/geracao_energia.aspx

Ao contrário da insistência do governo, é claro que a falta de chuvas não é o único motivo que levou o país à situação delicada em que se encontra. O mesmo pode ser dito a respeito da crise da água. Fatores como falta de planejamento por gestores públicos, políticas orientadas para fins eleitoreiros, e a escolha das concessionárias de energia de distribuir os seus lucros de anos anteriores aos acionistas ao invés de investir as quantias necessárias em melhorias à infraestrutura da rede, abriram o caminho para a crise energética iminente, como era de se esperar.

O Ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, resumiu sua visão sobre a (ausência de) responsabilidade do governo perante a crise ao dizer mês passado simplesmente que “o setor elétrico está sendo vítima do ritmo hidrológico”, e que caberá à população reduzir o seu consumo, “do mesmo jeito que … o consumidor está tendo de reduzir o gasto de água”, para que se evitem problemas drásticos. Simples assim. É irônico que essa frase tenha vindo logo após uma reunião com o Ministro de Planejamento. Pelo menos o ministro está certo sobre uma coisa: independente das ações que poderão ou não vir de Brasília, os consumidores precisam tomar as rédeas de seu destino e fazer a sua parte, reduzindo o consumo de energia o mais rapidamente possível através de ações de eficiência energética.

Na Mitsidi, acreditamos que existe um enorme potencial inexplorado para a eficiência energética. Mais sobre esse assunto nos nossos próximos posts!