Um importante estudo sobre o impacto do benchmarking em grandes edifícios residenciais e de escritórios da cidade de Nova York prova que a prática pode beneficiar gestores de energia em todo o mundo: fornecer às pessoas relatórios sobre seu uso de energia tende a promover eficiência.

O estudo  publicado pelo New York Business foi conduzido pelo New York University’s Center for Urban Science Progress (CUSP) e pelo Urban Green, representante do U.S. Green Building Council na cidade e examina o impacto da Lei Local 84 (LL84)promulgada em 2009. leia LL84 obriga que edifícios com mais de 4,6m² devem reportar anualmente seus consumos de água e eletricidade, e assim seu desempenho pode então ser comparado.

O estudo avaliou os resultados da Lei de 2010 a 2013. Eles mostram que o uso de água e energia elétrica foram otimizados:

 

“Os dados coletados mostram que as emissões de carbono e uso de energia nos prédios que passaram pelo processo de benchmarking diminuíram com o tempo. Entre 2010 e 2013, as emissões das 3.000 propriedades analisadas baixaram em 8%, enquanto o consumo de energia diminuiu 6%”

 

É importante citar que em 2007 o Inventory of New York City Greenhouse Gas Emissions projetou o aumento em 27% até 2030 se os padrões de consumo existentes na época não mudassem.

A síntese do estudo sugere, simplesmente, que se você disser às pessoas como estão se saindo nessa questão, elas estarão propensas a mudar. Isso pode ocorrer porque muitas não sabiam anteriormente quais passos seguir, ou então porque se sentem motivadas por sua competitividade. A conclusão portanto é que o processo de benchmarking funciona:

 

“Apesar de uma parte da redução estar ligada a retrofits ou upgrades, especialistas dizem que os números totais provam a ideia básica da lei: os proprietários ou gestores prediais reduzem o consumo energético se descobrirem o quanto do recurso outras construções de tamanho similar estão usando.”

 

O relatório de uso de água e energia de Nova York em 2013 pontuou quatro áreas que mostram potencial relativamente alto: aumento da eficiência em aquecimento, prevenção de perdas de energia em unidades de ar condicionado em janelas e paredes, melhoria e controle da iluminação

O projeto, entretanto, não é um caso único As vantagens de se utilizar o benchmarking na gestão energética foram ilustradas em um estudo de 550 edifícios no ano passado realizado pela EnergyScorecardMinnesota. O projeto e o universo do benchmarking energético foram discutidos no podcast do Energy Manager Today com Jonathan Braman, vice-presidente de iniciativas estratégicas da Bright Power. A Xcel Energy e a Divisão de Recursos Energéticos do Estado de Minnesota também participaram do projeto.

A A. Messe Supply, uma empresa de Chicago de aquecimento e canalização, postou um comentário que apresenta uma segunda função ainda mais importante do potencial do benchmarking: não apenas diz à organização como ela está se saindo, mas também guiá-la como tomar decisões mais eficazes no futuro:

 

“Outro benefício adicional do benchmarking energético é poder criar um plano de gestão para que os donos de edifícios comerciais saibam em que áreas há maiores e menores oportunidades de investimento para a melhoria da eficiência energética. Eles obterão também conclusões objetivas que permitirão replicar as boas práticas de desempenho energético em outros prédios e instalações que gerenciam. Além disso,  o processo de benchmarking permite a priorização de áreas operacionais que são mais propensas a trazer resultados, e que assim elas possam ser aplicadas imediatamente.”

 

O projeto da cidade de Nova York e o relatório dos resultados do Urban Green e da CUSP mostram um exemplo especialmente claro dos benefícios do benchmarking energético. Talvez, afinal, a crescente atenção dada à redução de emissões de CO2 e o aperfeiçoamento do uso da energia  – combinados ao rápido desenvolvimento de ferramentas para coleta e análise de dados – tornaram o benchmarking uma ferramenta indispensável nos esforços rumo à eficiência energética.

No Brasil, a repercussão do tema desde 2013 levou o Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS), em parceria com outras organizações, a desenvolver uma visão para o desenvolvimento de benchmarks e a implantação de etiquetagem energética no contexto Brasileiro. Os benchmarks já desenvolvidos pelo CBCS – agências bancárias, edifícios corporativos, e edifícios públicos, ainda em andamento) incorporam importantes questões como a densidade de ocupação, o clima local, área de estacionamento e consumo de datacenters, e estão disponibilizados em uma plataforma online.

 

Fonte: Energy Manager Today