Tradicionalmente, sempre houve discussões relacionadas à eficiência energética em espaços locados. É difícil que o dono do imóvel e o locador concordem na divisão dos custos da reforma de um espaço. Isso tem diminuído a frequência com que essas construções são modernizadas em comparação a prédios usados pelas organizações proprietárias.

Isso, como muitos outros fatores relacionados à energia, está mudando. A razão principal é que agora maiores economias podem ser atingidas ao apostar em tecnologias de eficiência energética. Hoje, os dois lados da equação – locadores e locatários – querem se tornar mais eficientes, por conta da dificuldade em evitar investimentos. Enquanto no passado encontrava-se razões para evitar reformas e retrofits, hoje sobram motivos para que esses processos sejam realizados.

Pode ser bom para os dois lados, afirma Sarene Marshall, diretora executiva do Urban Land Institute (ULI). “Se você é proprietário e é o locatário paga pela energia consumida, é interesse dele fazer o investimento”, diz ela. “E também é interesse do dono porque isso é atrativo para os locatários”.

Nesta semana, o ULI revelou um programa que visa acelerar esse processo. O Tenant Energy Optimization Program (Programa de Otimização Energética para Inquilinos, em português) foca na comunicação entre locatários, donos de edifícios, corretores imobiliários, gerentes de projeto, arquitetos e engenheiros, de acordo com a organização.

O princípio do projeto era reduzir o consumo de energia no Empire State Building em Nova York. Subsequentemente, algumas companhias – incluindo Shutterstock, LinkedIn, Bloomberg e The Estee Lauder Companies— conduziram dez projetos pilotos. Segundo a ULI, a economia gerada foi de 30 a 50% em 3 a 5 anos, e as taxas de retorno interno anual de 25%.

O programa foi lançando com um website descrevendo os pilotos. “Queremos ajudar os gestores e consultores… encontrar maneiras para reduzir o consumo energético e economizar dinheiro”, disse Marshall. “Isso é especialmente importante se e quando a economia quebrar novamente. Cada centavo conta, pensando por esse ponto”.

O programa da ULI tenta ser prático e de fácil aplicação para eficiência energética:

“O processo consiste em dez passos que envolvem selecionar uma equipe e espaço de trabalho, ajustar objetivos para desempenho energético, modelar opções de redução de consumo, calcular retorno financeiro, tomar decisões finais sobre implementação, desenvolver um plano pós-ocupação, construir o espaço, executar o plano pós-ocupação e comunicar os resultados.”

Há grandes desafios em implementar a eficiência energética em espaços comerciais locados por conta dos objetivos das duas partes envolvidas. No entanto, o movimento em direção à eficiência energética e empreendimentos sustentáveis se torna cada vez mais central nas empresas e na sociedade, o que impulsiona locadores e locatários a superar essas barreiras e a dar o direcionamento correto à questão.

Eficiência Enegética em espaços alugados